domingo, 7 de dezembro de 2014

Doidamente...


"Saudades!
 Sim... Talvez... E porque não?
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para que? Ah! Como é vão!
Que tudo isso, amor, não nos importe
Se ele deixou beleza que conforte.
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, amor, já te esqueci...
Para mais doidamente me lembrar
Mais doidamente me lembrar de ti
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!"

Florbela Espanca

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