quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Olhar...


"Te olho nos olhos e você reclama que te olho muito profundamente. Desculpa, tudo que vivi foi profundamente. Eu te ensinei quem sou e você foi me tirando os espaços entre os abraços, guarda-me apenas uma fresta. Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem. Até onde posso ir para te resgatar? Reclama de mim, como se houvesse possibilidade de me inventar de novo. Desculpa, desculpa se te olho profundamente, rente à pele, à ponto de ver seus ancestrais nos seus traços. A ponto de ver a estrada onde ficaram teus passos. Eu não vou separar minhas vitórias dos meus fracassos. Eu não vou renunciar à mim, nenhuma parte do meu ser vibrante, errante, sujo, livre, quente... Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente."

Ana Carolina

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